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Cotidiano de uma Comunidade
Círculos de Partilha
Há 25 anos que a Xamam Alba Maria (AM) se dedica ao xamanismo. Academicamente uma psicóloga, porém se sabendo uma mulher filha da Terra e dos dizeres da Mãe Natureza, renunciou aos caminhos da academia e seguiu os ensinamentos de seus Avós, os Quatro Elementos: a Terra, o Ar, o Fogo e a Água. Contempladora e devota da Irmã Lua e do Irmão Sol realiza ritos e jornadas nos Campos do Mundo: Chapada Diamantina, Peru, Índia, Alemanha, Itália, Islândia, Estônia e na Fundação Terra Mirim em Simões Filho, Bahia (Brasil), onde vive.
Pergunta: O que é o xamanismo Alba Maria?
AM: Xamanismo é uma ciência, uma ciência espiritual. Abrangente porque ultrapassa os campos de realidade convencionais e toca em campos ou em realidades paralelas e assertiva porque mergulha sem medos em realidades interiores buscando curar e cicatrizar núcleos feridos dos seres humanos.
Pergunta: O que é necessário pra se tornar um/a xamã?
AM: Um sinal interior, um chamado ardente da alma. Uma identificação profunda com a Natureza. Diferente da ciência acadêmica, o/a xamã não faz o caminho, é o caminho que faz o/a xamã. Acrescente-se a isto tudo uma disponibilidade total para mergulhar em seus próprios infernos interiores e sair de lá vivo, isto é, ultrapassar a linha que existe entre a sanidade e a loucura e tocar a Unidade onde se localiza a real moradia da Deusa Mãe.
... à noitinha, no templo, construção primeira da comunidade Terra Mirim, Alba Maria realiza os Círculos de Partilha onde escuta orações e clamores de cada pessoa que por lá passa. Em seguida, a Xamam oferta seus ensinamentos. Publicamos aqui alguns trechos destes momentos.
Pra conhecer um pouco mais, leia:
A Voz dos Quatro Elementos - Alba Maria – Ed Kalango
Xamã do Tibet – Master Maticintim - Ed Kalango
Mistério das Avós - Alba Maria - Ed Kalango
Guerreiros e Guerreiras de Deus
Quem nunca ouviu as belas histórias e lendas sobre grandes lutas onde nobres guerreiros e guerreiras davam tudo de si, diziam SIM à vida e até à morte por amor a uma causa, e nesta jornada descobriam a si mesmos?... Toda a energia, toda a força destes homens e mulheres seguia uma causa, tinha uma intenção.
O que faz com toda sua força um ser sem uma causa, sem guerras explícitas, sem nada muito nobre pelo que lutar? São criadas, então, no cotidiano, na convivência entre as pessoas as guerras particulares, para extravasar toda a belicosidade, toda a pulsão que muitos seres tem para guerrear: surgem as brigas tolas, imposições, lutas pelo poder.
Existe neste ser belicoso uma energia muito forte de realização pessoal, e é preciso criar um fluxo desta energia para a realização. Como a maioria das vezes não se sabe como fazer isso, o ser cria resistências, brigas, guerras pessoais. Na verdade uma freqüência altíssima de energia está penetrando e possuindo este ser, uma energia de força, uma energia de luta. Mas esta energia de força existe para a REALIZAÇÃO DE SI, para o profundo encontro do ser consigo, para esse nobre combate, essa luta interior onde cada um vai buscar o seu Santo Graal e descobrir a si mesmo. Cada um precisa ter uma clareza muito grande da intenção desta força, para não tentar travar guerras sem causa, onde, por mais que se ganhe, sempre se é perdedor.
Pergunte a Deus: "Porque esta força tão intensa dentro de mim? O que Você quer de mim? O que? De que forma eu vou encontrar comigo? Como eu posso manter este diálogo permanente comigo mesmo?" . Escute as respostas que brotarão do seu coração.
De mim o que ele pediu - na verdade exigiu - foi o meu Grande Encontro comigo mesma. Para isso precisei mergulhar também nos meus pontos de fragilidade. Você tem medo de expor a sua fragilidade e perder a sua força, como Aquiles? Você tem medo de morrer? O meu calcanhar de Aquiles é a minha própria história, minha própria vida, essa é a minha fragilidade. Eu não sinto medo da minha fragilidade, não. Assusto-me quando não quero expor a minha fragilidade. Isso me assusta, pois eu sei que estou querendo ser o que eu não sou. Mas quando eu exponho, sinto liberdade... Quando me flagro neste jogo digo para mim: "Opa, vamos sair disso." A minha fragilidade é a minha força. O que eu renunciei na minha vida, o que eu passei na minha história é que me deu forças para continuar, na minha dor estava a minha força. Quando eu mais clamava, quando eu mais sofria, quando tudo mais doía, nascia então a minha força, a minha asa ficava mais forte para voar, para eu chegar mais perto de mim mesma. Não precisamos ter medo da nossa fragilidade; nós somos guerreiros frágeis dentro de uma luta insana, a luta interior. Colocamos armaduras, nos armamos até os dentes, mas por dentro trememos tanto! Prefiro então despojar as minhas armas, pois as armas me pesam e eu não sei carregá-las; se me livro delas fico mais leve, e morro. Vivemos uma libertação quando expomos algo escondido. Eu experimento essa liberdade em mim. Fica leve se relacionar com as pessoas que você ama e que te amam, quando você expõe a sua natureza humana. O amor comporta tudo...
Deus abençoe cada um e cada uma,
Alba Maria

Criado em 29/01/2009.
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