Esta é uma versão otimizada para celulares. Acesse o site completo aqui

Causos da Xamam
Lá ia a Xamam, caminhando pelas paisagens de Terra Mirim. O cheiro da manhã se fazia notar através da flor da quarana, do desata nós e dos inúmeros pés de espada de S. Jorge (ou seria de Ogum?) que teimavam em se espalhar por ali. De repente surge Dedéu, uma das moradoras da comunidade. Vinha com lenço branco na cabeça, saia rodada e blusa bem decotadinha. E aí começa o diálogo:
E aí Dedéu, tudo bem?
Ummm...mais ou menos, eu queria mesmo falar contigo Xamam.
Conta aí, o que aconteceu? Falou a Xamam, que lembrava ter marcado uma reunião pra ir naquele instante, mas Dedéu parecia muito preocupada, o assunto parecia ser urgente. Ok, vou chegar atrasada na reunião, depois dou uma desculpa pras pessoas.
Sentaram-se na porta da casa do sol.
Você sabe né Xamam, que eu queria mesmo ter um homem, mas um homem bom, que se sustentasse, não quero pagar pra ter um homem, mas tá difícil encontrar um bom homem, normalmente os bons ou são casados ou não têm um pingo de dinheiro e esses eu não quero. Tá ruim viu?
É verdade, disse a Xamam.
Então, eu fui ver mãe Nininha, aquela que a gente chama Inha pra ela jogar uns búzios pra mim. Logo na primeira jogada os búzios falaram umas coisas que eu fiquei pensando e vi que é verdade. Mãe Inha me falou que eu tenho muitos santos, tenho Omolú na cabeça (isso eu já sabia, o velho tá comigo mesmo), tenho Ogum que me protege, tenho Oxumaré e é por isso que eu sinto uma serpente subindo em mim, de vez em quando ela vindo lá de dentro de mim e subindo danada. Tenho Oxum, que fica atrás deles, eles não deixam ela passar e tenho o Caboclo guarani, esse foi apaixonado por mim em outra vida, não conseguimos casar e ele agora não me deixa.
Poxa Dedéu quantos santos! Será que sobra algum pra mim, perguntou a Xamam soltando uma gargalhada.
É, e o pior é que eles não deixam minha Oxum aparecer, é por isso que as pessoas muitas vezes me confundem com sapatão, com machos, veja, logo eu que gosto de mim, de me arrumar...então eu perguntei a mãe Inha, o que fazer e ela falou:
Ô minha fia, você tem que fazer um trabaio pra eles.
Sim mãe, mas...quanto custa esse trabalho?
Vai custar quatrocentos e setenta reales...
Eita, tudo isso?! Tenho não, mãe. Ah, se eu tivesse esse dinheiro...
Tá bom, minha fia, vamos jogar os búzios de novo pra ver o que posso fazer. Pessoal que não tem dinheiro, mas é pessoas de bem, lá de Terra Mirim - pensou Mãe Inha que ajudava deus e o mundo.
Óia, o trabaio pode ser feito por duzento e setenta reales
Vixe, inda é muito minha nega, sabe mãe eu tô devendo meus cartão todo, o da C&A tá vermelho e o da Insinuante também, comprei uma geladeira o mês passado e não conseguí pagar ainda, tô com medo de ir pra Serasa.
Ô minha fia, mas como a gente pode fazer pros santo? Eu vou pedir a eles e ver o que eles me dize. Esse povo de Terra Mirim num tem mermo dinheiro - pensa a Mãe com toda sua generosidade, também só vevi ajudando os outro. Joga os búzios mais uma vez.
Dedéu espera ansiosa, ela quer muito fazer o trabalho, ela confia em Mãe Inha.
Óia minha fia, agora é a última vez. Eles dize que pode ser por cento e cinqüenta reales.
Dedéu suspira e faz seu último pedido:
Vem cá mãe e eu posso pagar de duas vezes?
Que jeito né minha fia?
Brigado Mãe, brigado!
Poxa Dedéu , que coisa boa, diz a Xamam ouvindo toda a história. Essas atitudes são muito importantes...
É Xamam eu queria lhe contar, porque em você eu confio e gosto que você saiba das minhas coisas...
E a Xamam segue seu rumo pra uma reunião onde novos causos serão certamente escutados.

Criado em 29/01/2009.
Voltar
Esta é uma versão otimizada para celulares. Acesse o site completo aqui
