Fundação Terra Mirim - Organização Social na Bahia
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Quem somos nós
Como vivemos

Neste ano de 2011, completam-se 20 anos desde que os primeiros sonhadores começaram a chegar a Terra Mirim. Tomados pelo chamado da Xamã Alba Maria e pela luz de suas próprias consciências, foram transformando uma pequena chácara residencial em um Centro de Luz, um espaço dedicado à Mãe Natureza e ao auto-conhecimento, guiado pelos elementos e pela sabedoria dos antigos. A história da Mirim é formada por muitas fases de grandes aprendizagens e ações intensas, com permanente e especial atenção à construção de nossa identidade, em meio ao mundo. Como parte deste caminho, a Vida tem nos ensinado formas criativas de estar no Sistema sem pertencer ou nos submeter a ele. Tudo que fazemos é por pura devoção, por acreditar em um mundo melhor, mais justo, mais partilhado.

Na época que iniciamos nossa trajetória, não se falava em terceiro setor, marco legal, economia solidária, captação de recursos e tantas outras denominações que o mundo institucional veio nos impor. Com o tempo, fomos nos deparando com realidades duras e difíceis de transpor, diante das quais, tínhamos que abandonar um estado de inocência ignorante para amadurecer sem contaminações, uma tentativa quase impossível de realizar. Entrávamos em batalhas sem armas, adentrando caminhos tortuosos com as únicas ferramentas que conhecíamos: nosso coração, nossa ética e nossa coragem de SER. Pagamos um preço alto, muito alto. E a cada instante, a oração era nossa maior companheira, o estar juntos/as era nossa força. Se dizer, se olhar e muitas vezes nada compreender. Silenciávamos e ritualizávamos o instante.

Vimos o movimento do terceiro setor, capitaneado pelas grandes instituições, iniciar seu processo de afirmação. Na época, falava-se no hoje famoso marco legal. Ao passo que buscávamos fortalecer nossa Instituição, a Fundação Terra Mirim, vimos profissionais e especialistas vinculados a esse setor chegarem, muitos dos quais, de um lado, querendo nos ensinar, do outro, querendo levar algo que nos pertencia. Em magnitudes variadas, as organizações sociais se transformavam em uma “mercadoria” valorizada, fazendo parte de um “comércio” que em muito lembrava o tempo dos colonizadores. Uma troca injusta, mas presente e insaciável.
As Leis falavam de direitos para essas organizações, porém, imensa era a luta para consegui-los. Poucas delas realmente alcançaram plenamente tais direitos. Raramente fomos tratados/as como diz a Lei, com ética e respeito. Consultamos especialistas em Direito, pagamos a escritórios jurídicos para nos orientar, de pouco ou nada valeu. Víamos que éramos nós que deveríamos buscar o que nos pertencia. Um esforço indizível para fazer campanhas para suprir todas as necessidades da instituição que teimosa, insistia em viver e realizar seu serviço na Mãe Terra. Tínhamos, sobretudo, que usar nossos talentos pessoais, em muitos casos, em trabalhos fora do espaço da organização, para encontramos recursos para continuarmos realizando nosso sonho.

Iniciamos a escrita de projetos com a esperança de visualizar uma brecha no caminho. Mais uma vez tivemos que pagar aos especialistas para nos ensinarem a preencher formulários técnico-institucionais, e, a “quase adivinhar” o que os financiadores queriam. Com a crença que poderiam entender nossa linguagem, começamos essa fase cheios de alegria e fé. Fomos reprovados em inúmeros editais e nos sentimos incompetentes. Paramos, refletimos, mudamos a linguagem para um tom menos devocional, mais pragmático. Ao mesmo tempo, fomos questionando e compreendendo o significado desses financiamentos. O que realmente estava por trás de tudo isto? Por que, de repente, tantas empresas financiavam tantos projetos de teor socioambiental?
Decidimos escolher quem queríamos como parceiros. E optamos por instituições governamentais, federais e estaduais. A partir de certo momento, começamos a ganhar alguns editais: Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Cultura, Secretaria do Meio Ambiente, etc. A cada projeto aprovado nosso olho brilhava, celebrávamos, pois, nos permitia realizar a missão social da Fundação Terra Mirim.

Sentíamos que necessitávamos fazer algo, em uma região que, apesar de possuir os maiores PIB do Estado (com as presenças do CIA, da COPEC, da RLAM, por exemploEstatuto Terra Mirim

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Criado em 05/12/2008.

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