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Como nos organizamos
Toda nossa forma de organização foi concebida pela experiência que tivemos nesses dezoito anos (1990-2008) de existência. Nenhuma teoria à época se adaptava ao nosso caso particular. O querer partilhar permanentemente as decisões, a opção firme pelo sistema de voluntariado, a transparência e doação dos valores monetários, os diálogos abertos dos desejos que se faziam em nós, o cuidado amoroso do nosso alimento, de nossa saúde... tudo isso dentro do sistema político e social vigente nos marcava como fadados/as a falir, porém dentro de nós havia uma certeza de estarmos resgatando algo aparentemente perdido, algo já vivido por nossos ancestrais, realidades tribais plasmadas no Universo, tempos da Deusa, tempos da Grande Mãe. O mito nos ajudava a sedimentar a experiência. A comunidade, parte feminina de nosso sonho se enraizava construindo seus valores, suas residências e fortalecendo a partilha. A Fundação, parte masculina de nosso sonho se constituía buscando através de nossos Serviços aos povoados do entorno do Vale do Itamboatá, em Simões Filho, Bahia conquistar os certificados instituídos pelas Leis do País: Utilidades Municipais, Estaduais e Federais, Certificado Nacional de Ação Social (CNAS). Elaboramos um estatuto que já foi atualizado algumas vezes onde cada um/a que reside em nossa comunidade colaborou, questionou, sugeriu, discordou e finalmente aprovou, finalizando-o e nesse Estatuto estão evidentes nossos valores incluindo os valores espirituais, disso nunca poderíamos abrir mão. Funcionamos em sistema de superintendência, com uma diretoria constituída por três diretores, um Conselho Curador e um Conselho Fiscal. Organizamos núcleos, que chamamos áreas (educação, arte e cultura, ambiental, nutrição, desenvolvimento sustentável) onde cada um/a de nós pode exercer seu talento pessoal e realizar a jornada interior destinada pela alma. Não, não é fácil, mas preferimos olhar as possibilidades e assim fazemos até hoje, em cada momento, em cada passo de nosso caminho. Estamos em permanente transformação. Atualmente buscamos cada vez mais incluir os adolescentes e jovens dos povoados vizinhos e de outras localidades do nosso País e do exterior, em nossos trabalhos delegando aos mesmos decisões e escutando suas opiniões, fortalecendo lideranças na certeza de que breve eles/as estarão na linha de frente de tudo isto e o sonho poderá cada vez mais frutificar e ofertar seu doce sabor ao Universo.



Gestão Financeira
Externamente


Caminhos nem sempre muito fáceis de encontrar saídas, mas a certeza de uma Causa maior nos faz continuar e criar possibilidades em espaços aparentemente vedados. Trabalhar a área financeira de uma organização social que não tem apadrinhamentos, que não tem provedores que a mantenham, que não tem políticos que facilitem entradas de recursos ou algo semelhante é um esforço extremamente difícil em nosso País, poderia dizer até mesmo que este sonho é fruto de um imaginário revestido de uma poética irrealizável. Nos constituímos fundação há dezesseis anos com todos os títulos que nos certificam como uma instituição que cumpre de forma ética seu papel social e por este motivo, pela Lei do País, teríamos direitos a determinadas prerrogativas, como por exemplo, isenção da cota patronal, um recurso que nos sangra a cada mês em 24% . Tentamos de todas as maneiras conseguir esse direito, mas o surrealismo das repartições públicas, o marasmo das respostas, nos deixam até hoje, anos depois dessas inúmeras tentativas, boquiabertos diante de tanta má vontade, de tanto desrespeito às Leis de nossa Nação. Mas isto não arrefece nosso desejo de seguir buscando o que nos pertence. Continuaremos tentando até vermos o direito de cidadania institucional ser respeitado e finalmente acatado.



Internamente

Desde que começamos a viver em comunidade (1990) tentamos instituir determinados procedimentos que nos possibilitassem partilhar de forma amorosa o que conseguíamos angariar, financeiramente falando, em nossos trabalhos pessoais. E assim aprendemos a abrir mão de determinados valores a fim de que todos/as pudessem sentir e viver uma equanimidade e uma justiça que brotasse de nossa alma, de nossos corações. Fomos aprendendo a servir de forma voluntária, a comprar juntas e a cozinhar cuidadosamente nosso alimento, a partilhar nossos veículos, a agradecer por tudo que nos era ofertado pela mãe Terra e abençoado pelo pai Sol. Nossos talentos servem como moedas que podemos doar e trocar a fim de partilharmos tudo que temos dentro de nós. Claro que vivemos momentos extremamente difíceis, mas existe algum local onde não hajam portais a serem ultrapassados? Terra Mirim não é diferente de nenhum outro local. Aqui também existem equívocos, desentendimentos e rompimentos. Mas sabemos que tudo isto faz parte de um processo chamado maturidade e que precisamos estar prontos para vê-lo de frente e destemidamente podermos cruzar as barreiras que se apresentam diante de nós. Para podermos viver financiamos nossa instituição doando recursos financeiros oriundos de nossos trabalhos pessoais, alugamos espaços para eventos e para acolhimento, escrevemos projetos, oferecemos uma alimentação maravilhosa e fomentamos nossas áreas de meio ambiente, de arte e cultura, de nutrição, de desenvolvimento sustentável e de educação pra que realizem serviços que são de sua competência. Talvez sejamos simples sonhadoras/es, mas ao menos deixaremos na nossa mãe Terra uma referência para as gerações porvir.

Mais informações: administrar@terramirim.org.br


Criado em 21/01/2009.
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